Anorexia Nervosa

O que é?

Anorexia nervosa é um transtorno alimentar caracterizado por perda de peso intencional, induzida e mantida pelo paciente. A pessoa tem medo de engordar e ter uma silhueta arredondada. Ocorrem alterações hormonais decorrentes da perda de peso, e o exemplo mais característico é a amenorreia (ausência de menstruação).

Mulheres entre 15 e 25 anos são o grupo mais atingido pela anorexia nervosa, mas, apesar de menos comum, o transtorno também atinge homens e mulheres mais velhas. Algumas pessoas, por exemplo, podem passar anos apresentando sintomas leves, mas algum evento estressante ou traumatizante provoca piora clínica. Estudos recentes sugerem que transtornos de ansiedade, especialmente transtorno de ansiedade social e personalidade obsessiva-compulsiva aumentam a vulnerabilidade de uma pessoa para transtornos alimentares.

Algumas profissões apresentam maiores chances para o desenvolvimento de anorexia nervosa, em especial aquelas ligadas à estética e ao corpo, como bailarinas, atletas, profissionais da moda, atrizes e atores, estudantes e nutrição, medicina e psicologia.

Grande parte das vezes, a pessoa tem muita autocrítica, baixa autoestima, tem uma grande ansiedade quanto ao seu relacionamento com outras pessoas, e pode ter até sofrido abuso físico e sexual na infância. Tudo isso influencia para o adoecimento, principalmente quando associado a uma cultura em que os padrões de beleza são vinculados à magreza, em que criam-se estereótipos de felicidade sempre associados ao “corpo perfeito”.

Fala-se também em uma predisposição biológica que passa dos pais para os filhos, mas esses fatores biológicos ainda não são compreendidos claramente. Mas uma coisa é certa: a ocorrência de transtornos alimentares entre parentes de primeiro graus é 6 a 10 vezes mais frequente em comparação à população geral. Isso quer dizer que, se pegarmos 2 pessoas (A e B), uma cuja família tem um histórico de transtornos alimentares (A) e uma pessoa cuja família não tem esse histórico (B), a chance da pessoa A ter um transtorno alimentar é muito maior do que a chance da pessoa B.

 

 

Como é o quadro clínico?

O quadro se inicia sempre após uma dieta. Quando o paciente começa a perder peso, a dieta se torna cada vez mais atraente e compensadora. Em um primeiro momento, são evitados alimentos ricos em carboidratos, açúcares e gorduras, os considerados “engordativos”. Conforme o transtorno vai se agravando, a pessoa restringe cada vez mais a sua alimentação.

Juntamente com isso, o paciente passa a adquirir hábitos perigosos para o emagrecimento, como atividade física intensa, indução de vômitos, uso de laxantes, uso de insulina, entre outros. Apesar da perda de peso intensa, a pessoa continua insatisfeita com a sua imagem. Diz que está gordo ou que algumas partes dos seu corpo ainda precisam ser reduzidas.

Há também os sintomas que são causados pela perda de peso e pelo estado de desnutrição. São exemplos: ausência de menstruação, cansaço, irritabilidade, perda de libido, dificuldade de concentração, entre outros.

 

O que fazer?

É extremamente importante procurar um psiquiatra, ao serem percebidos os sinais. Assim, poderá ser iniciado o tratamento, que é multidisciplinar. É formada uma equipe de profissionais de saúde capacitados a lidar com a situação, que se fortalece com o apoio de familiares e amigos durante o tratamento.

Psicólogo, nutricionista e médico trabalham juntos, fornecendo suporte psicológico para a recuperação da autoestima, ajudando também a fortalecer o paciente, que vai perdendo o medo de engordar. É feito também um programa de reeducação alimentar, e, quando necessário, tratamento para as disfunções hormonais.

A família e os amigos são essenciais para a melhora efetiva, e devem fornecer suporte ao paciente. Existem várias abordagens diferentes de terapias, e uma das mais efetivas é a terapia baseada na família.

É importante dizer que o tratamento é muito efetivo, e a grande maioria dos pacientes apresenta melhora significativa, chegando até à recuperação total.

 

 

Referências:

  1. https://www.psychiatry.org/patients-families/eating-disorders/expert-q-and-a
  2. “Compêndio de clínica psiquiátrica”
  3. CID-10